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MUSEU JOSÉ VEIGA
Sociedade civil sem fins lucrativos, o Museu José Veiga de Preservação da Memória Ibicuiense, nasceu do idealismo da Professora Ana Soraya Pires Veiga que, desde 1995, data em que a mesma elaborou os primeiros esboços da criação do Museu, empenhou todos os seus esforços pessoais para materializar sua idéia.

Depois de dois anos de árdua elaboração de rascunhos do projeto foi finalmente divulgado na Rádio comunitária FM Vida Nova em entrevista concedida no programa “Papo Sério” conduzido pelo então diretor da rádio, Carlos Roberto Santos no dia 22 de setembro de 1997. Em 19 de outubro de 2001 a professora Soraya, com o apoio de simpatizantes da causa criou a Associação dos Amigos do Museu, formalizando os estatutos da Associação e lavrando a ata de fundação com a presença de autoridades e representantes da comunidade.

Uma vez registrados em cartório a documentação exigida para o estabelecimento da instituição, o Museu foi reconhecido como de “utilidade pública” pela Câmara de Vereadores em sessão plenária votada pela maioria dos edis. Finalmente, em 12 de dezembro de 2002, o Museu foi inaugurado como parte integrante das comemorações da data dos cinqüenta anos de emancipação política do Município de Ibicuí e aberto à visitação pública. Em 19 de setembro de 2003 foi organizada sua primeira exposição temporária em comemoração pelos dez anos de existência do jornal “ O Guarany”.

 

 

 

Em 14 de outubro de 2003 a Associação foi inscrita no Cadastro Geral de Pessoas Jurídicas/CNPJ. Em 09 de abril de 2005 o Museu passa a ser reconhecido regionalmente através do Seminário Regional de Ilhéus, evento ocorrido sob a coordenação de Joana Angélica Flores Silva, coordenadora do projeto “Perfil dos Museus do Estado da Bahia”.

O museu tem entre outras finalidades; preservar a memória sócio-cultural, a valorização da arte e a produção de conhecimentos sobre Ibicuí e região, em função disso, vem fazendo um trabalho de exposição temporária em datas significativas para o nosso município, abordando temas relacionados com a cultura local, pois a memória de um povo deve ser registrada, vivenciada e cultuada para que se perpetue no tempo e constitua material de padrões de conhecimento e de conduta para as novas gerações que habitem em determinada região.

O futuro dessa instituição pertence agora a todos os moradores desta comunidade porque se trata de patrimônio cultural de valor histórico que não pode ser relegado nem ao descaso nem ao abandono, pois a cultura e a arte são os ornamentos mais duradouros do espírito e do caráter de um povo.

 
Ana Soraya Pires Veiga Brito.
Historiadora / diretora
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CULTURA TROPEIRA
Verificamos maior influência da cultura tropeira no município de Ibicuí do ano de 1945 a 1960 quando os produtos agrícolas e industrializados eram transportados em tropas. Apesar de naquela época já existir as BR 116 e BR 415, os produtos eram transportados até o destino, em tropas, visto as péssimas condições dessas estradas. Nesse período o município de Ibicuí exportava excedente de produção para os municípios de: Itabuna, Ibicaraí, Poções, Itapetinga e fronteira da Bahia com o estado de Minas Gerais. Os principais produtos exportados de Ibicuí para os municípios de Itabuna, Ibicaraí e Itapetinga eram: madeira (pranchas de até 120 kg cada, sendo 02 por animal), cacau (sacas de 04 arrobas), cachaça (barril de 50 litros), feijão (sacas de 60 kg), milho (sacas de 60 kg), farinha (sacas de 60 kg), arroz (sacas de 60 kg) e fumo (fardo de folhas). Próximo ao município de Itabuna, no distrito de ferradas os tropeiros faziam parada, visando ferrar os animais para seguir viagem, razão da origem do nome. A madeira serrada em forma de pranchas (cedro, jequetibá, jacarandá, etc) eram transportadas em larga escala, até as rodovias e daí embarcadas em caminhões para Itabuna, Itapetinga, Feira de Santana, Salvador e outras regiões do estado da Bahia. O senhor Isaias conta que levava pranchões com até 120 kg, 02 por burro. Para o município de Poções destacamos o transporte do café, produto de maior importância comercial no município de 1945 até 1960. Para a fronteira da Bahia com o estado de Minas Gerais, com destaque para os municípios de: Salto da Divisa, Jascinto, Cidade de Rubim (antiga união), Fortaleza (atual pedra azul), eram feitos carregos comprados do sul da Bahia (Itabuna e Ibicaraí) com os seguintes produtos: sal (sacos de 60 kg), açúcar (sacos de 60 kg), querozene (caixas de madeira com 02 latas de querozene por caixa), vela (em grande escala), etc. No retorno do estado de minas gerais eram transportados basicamente cereais (feijão, milho, arroz, etc.), com destino aos municípios de Itabuna, com passagem pelo município de Ibicuí. O município importava produtos acabados e industrializados a exemplo de: cerveja (caixa de madeira com 48 garrafas, peso médio de 75 kg); refrigerante (caixa de madeira com 80 garrafas, peso médio de 75 kg), açúcar (sacos de 60 kg), sal (sacos de 60 kg), etc. Destacamos o transporte de cal, utilizada na construção civil, adiquirido em larga escala na região de Três Lagoas (zona do garrafão), município de Itapetinga e transportada para Itabuna, Ibicaraí, Ibicuí, Iguaí e Nova Canaã. O Sr. João Victória e Catão Pinto, ambos falecidos, eram caixeiros viajantes, representando empresas de Salvador-Ba. Estes viajavam pela região com cavalhada, levando amostras dos produtos, preenchendo pedidos que eram transportados pelos tropeiros. Estima-se que no município existia um rebanho de 1.500 burros. A tropa era dividida em lote, cada lote possuía 10 burros. O burro peitoral ia á frente da tropa e destacava-se dos demais pelas 10 campas de metal que chocalhavam, penduradas no peitoral, determinando a direção da tropa. A tropa era composta de 03 pessoas, sendo: o dono da tropa que ia montado, o tropeiro que manobrava a tropa a pé e o cozinheiro que normalmente era um rapaz jovem que também ia a pé. Os burros eram adquiridos no estado de Minas Gerais, onde existiam grandes criadores, com destaque para os municípios de: Salto da Divisa, Jascinto, cidade de Rubim (antiga união) e Fortaleza (atual pedra azul). Compunha cada animal da tropa: cangalha, peitoral, arrocho e couro de boi para cobrir as mercadorias e que também eram dispostos no chão em áreas encharcadas para atravessar a tropa, confeccionados no próprio município. Naquela época o couro era produzido e beneficiado no próprio município a partir de vários curtumes existentes. A paina, utilizada para enchimento de talabardões de cangalhas, era adquirida na caatinga, com destaque para o município de Poções e circunvizinhos. O dono de tropa mais velho do município, ainda vivo, é o senhor Isaias Andrade, que dedicou 30 anos a atividade. O dono de tropa, já falecido, Lino Feitosa, trabalhou 40 anos na atividade.
 
GRUTAI
Um Dos grupos de teatro mais famoso e revolucionário de Ibicuí foi o Grutai (Grupo de Teatro Amador de Ibicuí) criado em dezembro de 1992 por Raimundo Cerqueira e tendo como principais membros Nicélio Veiga, Edeval Silva, Cleones Matos, Nicélio Veiga, José Marcelo, Fábio Galvão, Tânia Cristina, Adriana Silva, Ricardo Gomes, Sandro Renato, Nivaldo Bouquinha, Ernesto Leal, Mateus Araújo, Joedson Madedo, Evani Leal, Marcelo Cerqueira, André Mendes, Vilson Lindomar, Adriana Vaz, Adriana Souza Marta Valéria, Camila Cardoso, Rogério Braga, Marilucio Moreira, Luzinete Viana e Gimina Correia.
 
 
 
 
 
 
O Grutai ditou regras e movimentou a cultura do município participando de vários eventos artísticos em Itabuna, Vitória da Conquista e Ipiaú. Até o ano de 1995, o grupo apresentou na ACBI grandes peças como: A Morte Pede Férias, O Renascimento de Hever e Menino Cachorro e Tamanco. A sede do grupo era no galpão onde hoje é o prédio de Crevo.
 
ATUARTE
Hoje o único grupo em atividade que representa a cultura do município, é o Atuarte fundado em 16 de março de 2000, pelo professor Isaque Jesus Souza. O Atuarte já apresentou grandes peças como: A Prisão da Alma, Preconceito Confuso, Estilo Insano e Síndrome no Brasil. O grupo já faz parte da história cultural de Ibicuí e requer apoio do poder público e comunidade em geral para se manter vivo.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONSULTORIA:
I.C. - Informações Culturais
SINOPSE PRELIMINAR DO CENSO DEMOGRÁFICO - Fundação IBGE SEI - Superintendência
de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia INFORMAÇÕES BÁSICAS DOS MUNICÍPIOS BAIANOS – 2001
Turismóloga: Luciana Calil
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